Gays machões: o dilema

O dilema dos gays machões

Se você é gay assumido já deve ter ouvido as perguntas: “você é discreto?”, “É fora do meio?”, “Tem jeito de macho?”, “Sua família sabe? “.

wwhat

Entre outras perguntas que os gays machões querem que você responda sim, para que eles possam continuar se escondendo por trás de uma máscara onde não admitem o que são de verdade: gays como todos os outros que existem.

“A orientação sexual mais frágil que existe é a do homem heterossexual.”

Esse não é um conceito originalmente meu; quem apontou isso foi o colunista norte-americano Dan Savage. O autor chama a atenção para o fato de que, em nossa cultura, um homem ser hétero significa duas coisas: que você não é mulher e que não é viado. E portanto o homem hétero vive sob constante patrulha, pois qualquer escorregão numa dessas direções pode marcá-lo como gay enrustido.

ooooops

Enquanto mulheres podem beijar outra mulher, transar com outra mulher e depois decidir que gosta mesmo de homem e ninguém vai desconfiar que existe uma homossexual ali, o homem não pode. No caso da mulher ela pode até contar para o marido que antes dele dormiu com outra mulher, o cara provavelmente vai gostar e ficar com tesão sobre isso. Já o homem, se contar que na juventude dormiu com outro cara, adeus casamento.

Sobre ter experiências tudo bem, afinal, todos temos uma tendência sexual curiosa, admitindo isso ou não. Eu mesmo, antes de me assumir gay namorei com meninas, mas tinha curiosidade vontade de saber como era ficar com outro homem. Depois de ter ficado, tive a certeza: meu negócio é homem, eu sou gay.

O que me espanta mesmo é a quantidade de gays que defendem a ideia de “machão”, de “não dar pinta”. Oras, de que adianta você gostar de uma coisa e não poder conviver com ela de maneira natural?

Eu estava assistindo a novela “Babilônia” esses dias e tem um personagem chamado Sérgio, interpretado por Cláudio Lins, ele descreve exatamente o que estou querendo dizer: é gay, está apaixonado por outro homem, mas chegou a terminar com o cara porque o outro é assumido e ele acha que ninguém pode saber sobre a homossexualidade dele e coisas piores, como pensar que ir ao cinema com o cara que ele tem um início de relacionamento é exposição demais.

Os personagens Ivan (Marcello Melo Jr.) e Sérgio (Cláudio Lins), em Babilônia

Os personagens Ivan (Marcello Melo Jr.) e Sérgio (Cláudio Lins), em Babilônia

Todo mundo conhece um: os caras que estufam o peito e dizem que são gays, mas só curtem “outros machos como eles”. Consideram-se muito superiores aos “outros gays” que não mantêm a virilidade tão intacta depois de descobrirem que gostam de outros do mesmo sexo. Gostam de dizer que vivem “fora do meio”. E quando podem afirmar que não têm amigos viados, apenas amigos heterossexuais, exibem com alegria essa prova de que ainda não foram corrompidos. Consideram-se praticamente heterossexuais, não fosse o fato de gostarem de homem.

Gente! Que vida é essa? Para que isso? Entenda, eu não estou dizendo que todos os gays devem se tornar afeminados para mostrar que é gay de verdade. Isso é completamente diferente, até porque temos quem goste de afeminados, tem os que prefiram os mais “machos” e muitas outras variantes que temos na diversidade. O que eu estou querendo dizer é que não vale a pena viver uma vida escondida dos outros, não poder dividir sua vida, seus sentimentos com amigos ou família.

tumblr_ne2cylnpG41ql5yr7o1_500

Viver sempre à margem da sociedade é uma coisa muito arriscada. Viver sobre a ideia que “ninguém desconfia” e “ninguém sabe”, é loucura. Um dia você se apaixona por uma pessoa que é assumida e não tão máscula e deixa ela passar pelo simples fato de não querer esconder do mundo o que e quem é. É se privar de momentos e experiências maravilhosas do lado da pessoa que você ama e de pessoas do meio. Não há nada mais divertido do que aprender o vocabulário LGBT e cheio de gírias engraçadíssimas. Pois é, o gay machão se priva de tudo isso.

Outro detalhe muito importante: ninguém além do próprio vai considerá-lo um gay melhor por isso – nem os héteros, muito menos os “outros” gays. Você pode até optar por viver dentro das regras da heteronormatividade, aquela coisa do “tudo bem ser gay, mas não precisa dar na cara”, mas eu te garanto que o melhor é escapar dessa tocaia e se permitir experimentar outras atitudes. A vida vai ser mais relaxada – e quem sabe até mais feliz. Afinal, do que vale essa vida se vivermos com medo ou pressionados pela sociedade? Vamos ser felizes como somos e nos libertar de qualquer coisa que nos amarre. A vida está aí para ser vivida. Como diria uma famosa pensadora contemporânea: relaxa e goza!

tumblr_mhoealXCg21qihc1mo2_500

Post inspiração: Lado Bi
0 I like it
0 I don't like it

Blogueiro, Youtuber, Social Media, Gerente de Projetos Web, metido a webdesigner e programador, sim, um workaholic. Viciado em The Sims, Resident Evil e músicas toscas. Aspirante a ator.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *