Dilema: se assumir gay. Qual a hora certa?

Dilema: se assumir gay. Qual a hora certa?

Uma das coisas que mais me deixou desesperado quando descobri minha sexualidade foi a possibilidade de alguém “descobrir” do que eu gostava. A ideia de me assumir gay era fora de cogitação, eu achava que era uma fase, que quando eu ficasse mais velho iria parar com aquilo e me casaria com uma mulher e teria filhos como meus pais sempre idealizaram por mim.

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Eu não vou contar hoje, quando e como me assumi gay é uma história meio longa e um tanto dramática de verdade e não quero revisitar aquele momento agora, prometo contar em um próximo post só sobre isso.

Vou dar algumas dicas para quem pensa em sair do armário, principalmente para a família, que acredito ser a maior preocupação de qualquer homossexual. Como a família vai reagir? O que vão dizer? Como fica a nossa relação com os familiares? Uma coisa é certa: só assumindo para saber! Familiares que eu digo, incluem apenas mãe, pai e irmãos. As tias, primos e demais agregados que perguntam “e as namoradas(os)?”, eu nem conto muito como pessoas importantes nessa primeira fase. Afinal, se sua mãe, seu pai e seus irmãos aceitam, o restante dos parentes aceitam por tabela.

Aham

Então vamos aos fatos para se assumir gay:

1. Minha família é religiosa ou preconceituosa

Nunca se esqueça que quando eu falo de família estou incluindo apenas pais e irmãos. Para a minha sorte, nasci em uma família meio desligada no quesito religião, sempre fomos muito livres para escolher o que quiséssemos, por exemplo, meu irmão quis fazer catequese e primeira comunhão; já eu só fui em 5 missas na minha vida toda, porém, passei uns bons anos na Seicho-no-iê. Meus pais nos ensinaram a praticar a fé, a esperança e o positivismo e isso já servia para nós e serve até hoje.

Nem tudo eram flores, claro, meu pai vivia dizendo que se tivesse um filho gay ou minha irmã engravidasse, ele colocaria para fora de casa. Imaginem a minha situação lá pelos 14/15 anos quando descobri minha sexualidade.

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Se sua família é religiosa feat. preconceituosa, é necessário analisar algumas questões antes de tomar qualquer atitude precipitada:

a) Você é maior de idade?
b) Depende financeiramente dos seus pais (ou pessoas que te criam)?
c) Existe qualquer risco de violência física?

De maneira alguma estou dizendo que pessoas muito ligadas a religião ou preconceituosas sejam violentas, mas dentro do contexto, cabe a reflexão. Eu nunca fui agredido fisicamente, mas verbalmente…

Se você for menor de idade e depender financeiramente das pessoas que te criam, você deve contar com a possibilidade de ser expulso de casa, assim como meu pai me ameaçava. E se isso chegar a acontecer, você tem para onde ir? Tem para quem pedir abrigo? Se sua resposta é “não”, vai ser preciso paciência, pois então não é a hora para você se assumir.

Entendo perfeitamente que quando nos descobrimos e nos aceitamos, viver em segredo, uma vida dupla e não poder ter um relacionamento com ninguém é uma barra muito pesada, mas estou falando de sobrevivência. É mais prático ter paciência e esperar ser independente financeiramente e dono do seu nariz, do que acabar na rua sem destino certo. E sim, isso acontece MUITO! Então cabe a reflexão aqui.

Caso sua resposta seja “sim”, sou maior de idade, me mantenho ou tenho para onde correr, seja franco! Jamais comece: “acho que estou me descobrindo”, “não tenho certeza”. Se é para contar, arrebente a porta do armário e vá ser feliz, por favor!

O importante aqui é pensar muito e não agir por impulso. Tenha certeza de quem você é e do que quer.

2. Não faço a mínima ideia da reação da minha família

Esse caso é interessante, mas é necessário cautela. Sabe aquela história de “comer pelas beiradas”? Quando aparecer um casal gay em uma novela, como quem não quer nada, peça a opinião. A questão é polêmica? Melhor ainda! O negócio é sentir o terreno que está pisando.

Se as reações forem positivas, reforce a sua opinião de que não vê nada errado nisso e observe o comportamento. Muitas vezes os próprios pais abordam o assunto para ver a sua reação e muitas vezes é quando eles já estão desconfiados de algo e querem saber, mas esperam que você conte.

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Minha mãe mesmo veio com essa conversa no dia que me assumi: “você sabe, eu amo meu filhos independente de qualquer coisa. Podem ser o que for, sempre vou amá-los da mesma forma.”. Nesse momento ela já estava para lá de desconfiada, mas queria ouvir da minha boca e, claro, aproveitei a deixa.

Agora, se o comportamento e reações deles forem agressivas ou desrespeitosas, vale a pena seguir os conselhos do primeiro caso.

3. Minha família é tranquila e reagiria bem

JOGUE SUAS MÃOS PARA O CÉU! Isso é o que todo mundo gostaria de ter e não raros os casos. Sim! Eles existem!

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Se você tem certeza que não vai ter problema algum, conte para quem você acha que terá menos problemas. Por exemplo, eu assumi primeiro para a minha mãe, depois para o meu irmão e meu pai pegou por osmose, perguntando para minha mãe: “Você não acha que o fulano vem muito aqui em casa?” e ela respondendo: “demorou para perceber, hein!”.

Nesses casos, não minta, não omita, seja sincero e verdadeiro para quem você for contar primeiro. É um privilégio muito grande poder contar com uma família assim, não estrague isso sem motivos. Seja claro e direto, sem meio termo.

4. Quero me assumir gay para os meus amigos

No meu caso, eu contei primeiro para duas amigas que confiava, para depois contar para a minha família. Com várias pessoas que conversei, a reações geralmente são: “Eu já sabia!”, “Não via a hora de você me contar logo!”, “Por que não me contou antes?”; e assim por diante.

Você pode se perguntar: “Mas e se eu me assumir e meus amigos se afastarem de mim?”. Sinceramente? Se seu “amigo” se afasta de você por causa da sua orientação sexual, concordamos que a pessoa não era tão amiga assim né? Amigo de verdade é tipo casamento: na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, e etc.

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Aliás se assumir para amigos, é uma ótima peneira para ver quem você pode contar em todos os momentos. Pelo menos comigo foi assim. Eu tenho bem mais amigos héteros do que gays e os que ficaram me respeitam e me querem bem e é isso que importa.

E se prepare: amigos héteros vão te perguntar milhares de coisas, tenha paciência, curiosidade alheia faz parte do processo. Leve seus amigos em boates gay, barzinhos, para eles verem que não tem nada de anormal no nosso ambiente.

Bom… acho que já é uma grande ajuda para quem ainda está em cima do muro. Em um próximo post vou dar algumas dicas para quem acabou de se assumir, afinal, nem sempre são flores. Uma coisa se assumir gay, outra é o dia-a-dia depois disso.

Se você ainda tem alguma dúvida sobre como se assumir gay, conte comigo! Pode mandar e-mail para o redacao@gaycasado.com.br ou inbox na fan page do blog.

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Post inspiração: Sapatômica

 

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Blogueiro, Youtuber, Social Media, Gerente de Projetos Web, metido a webdesigner e programador, sim, um workaholic. Viciado em The Sims, Resident Evil e músicas toscas. Aspirante a ator.

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